Nem o chat GPT revela os mistérios da Pirâmide Invertida

Ilusão de praticidade foi criada para se fazer notícia no tempo do telegrama; Hoje a abordagem é em fluxos

O jornalismo levou 300 e mais alguns anos para entender a formatação da primeira teoria de apresentação da notícia: a Piramide invertida (surgida em 1861) A história, para o jornalismo, comecou no tempo do telégrafo (ele era canal pelo qual as informações chegavam no jornal). Na verdade a Piramide agregou a definição dos jornais para notícia. Ela surge num momento em que o jornalismo buscava seu rumo (1690) e apareceu em Comunicação na tese “De relationibus novellis”, na Universidade de Leipzig, por Tobias Peurce. Baseada numa  heurística  (quem, o que, como, onde, quando e porquê), foi definida pelo filosofo grego Marco Túlio Cícero (107 a.C. – 43 a.C.) a pouco mais de dois mil anos e fixou para a posteridade a fórmula dos elementos da narrativa para contar novidades (abordando as circunstâncias de sujeito, objecto, lugar, tempo, causa e maneira.

Apenas 150 anos depois de Peurce estes elementos se incorporaram no jornalismo por uma questão pratica. A guerra de secessão dos Estados Unidos coincidiu com a cobertura jornalística do front. Entre 1861 e 1865 os maiores jornais de Nova York recorreram a Associated Press para mandar jornalistas correspondentes para o campo de batalha com finalidade de divulgar as notícias, por telegrama, nos moldes das emergentes agencias que surgiam na Europa. Acontece que a insegurança da comunicação ficava à mercê da guerra com os frequentes rompimentos das linhas telegráficas e a perda do material jornalístico com os incidentes. A agência, em função disso, determinou o enxugamento do texto para o envio apenas dos elementos da heurística do jornalismo (quem, o que, como, onde, quando e porquê). Chamaram o método de Pirâmide Invertida (usada até hoje para o noticiário no jornalismo on line).

Com o passar de 160 anos a metamorfose por que passa o jornalismo, com a internet, obriga uma abordagem, dissociada da linguagem telegráfica, e com a profusão de informações. Ela deveria acontecer por fluxos, com o jornalista separando o que é relevante no dia a dia para abordar visando a vigilância do meio social, o repasse da herança cultura e o estabelecimento de relações interpessoais, como definiu Laswell, na década de 50 do século 20, como funções do jornalismo.

O jornalismo digital, no entanto, ao continuar seguinte os passos do telegrama (que praticamente nem existe mais), não só se atrasa como perde o sentido e se pasteuriza, num incontável enredo de mesmices. Desinteligente por natureza e inutel para a cultura.

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